Curiosidades, Emissoras, Noticia

Saiba o que motivou o fim dos canais Esporte Interativo na TV paga e parabólicas

Mais de três meses após o encerramento dos canais Esporte Interativo, tanto na TV paga quanto nas parabólicas, o gerente geral do grupo Turner no Brasil, Antonio Barreto, veio a público explicar o que de fato motivou a empresa a colocar um ponto final na emissora esportiva, que finalizou suas transmissões inéditas no dia 08 de agosto.

Em entrevista concedida ao site Notícias da TV, durante o MindNation – “evento em que a programadora apresentou as novidades de seus canais para 2019” – ocorrido na última terça-feira (27), Barreto revelou: “É difícil a conta fechar num canal de esportes porque os direitos de transmissão que levam o canal para cima são muito caros. Posso ter o campeonato de judô, que vai me dar 0,1 ponto de audiência, e nem quem patrocina a modalidade vai justificar o patrocínio. Você entra num modelo de negócio complicado”.

Além disso, o executivo também relatou que um dos problemas para a saída da emissora do mercado se deu em relação a outros tipos de modalidades esportivas que eram veiculadas no canal, que, segundo ele, não davam audiência, “demandavam um alto custo operacional e acabavam deixando o caixa no vermelho”.

“Se eu faço uma reprise de um jogo de futebol, tenho dez vezes mais audiência que uma final do judô. Mas faz sentido o canal ficar reprisando partida se você tem plataformas digitais que oferecem isso para quem quer assistir? A receita de televisão, especialmente para a TV por assinatura, ficou mais difícil porque existe uma grande concorrência por grandes direitos. E as audiências da TV paga são muito dispersas”, alegou.

Em seguida, Barreto contou que foi difícil de tomar essa decisão, e que todos envolvidos nesse processo ficaram por mais de um ano estudando tal possibilidade. “Para ser sincero, o processo foi super dolorido. Não foi uma decisão emocional. Foi mais de um ano avaliando. E a gente viu os dois modelos de negócios: trazer grandes eventos esportivos para um canal de grande audiência ou ter um canal de esportes em que você começa a buscar eventos para justificá-lo”, explicou.

Veja também:

O gerente ainda afirmou que as outras práticas esportivas que eram exibidas no EI, fora o futebol, eram caras e não davam retorno. “Você está tentando criar audiência para eventos que têm audiência fiel, mas muito pequena. Basquete, judô, handebol, a gente já fez tudo. É uma estrutura cara, complexa, que exige uma remuneração, e não conseguimos traduzir o desejo dessa audiência em grana para tocar o canal“, disse.

Direitos da Série A

A partir de 2019, quando se iniciar a Série A do Campeonato Brasileiro, o grupo Turner exibirá através dos canais pagos TNT e Space as partidas de alguns clubes brasileiros que fecharam parceria com a empresa. Dos 17 times, apenas sete estarão na elite do futebol brasileiro no ano que vem: Palmeiras, Santos, Ceará, Fortaleza, Internacional, Atlético-PR e Bahia.

Sendo assim, o SporTV não poderá transmitir as partidas entre esses clubes, somente se for na TV aberta (Globo) ou no Premiere (Pay-Per-View). “Isso é negócio, e uma grande parte da renda dos clubes vem da televisão. Então, se não tiver dinheiro, não tem negócio. E tem que acreditar que você está fazendo uma parceria de valor e que essa parceria vai elevar o valor do ativo que o clube tem. Os clubes viram na Turner uma oportunidade de arbitrar esse valor no mercado. Se tem só a Globo e ninguém mais questiona, quem define o valor é a Globo. Se existe outro player no mercado, quem define o valor é o mercado”, comentou Antonio Barreto.

No mais, vale ainda ressaltar que apesar dos canais Esporte Interativo terem acabado na televisão, eles continuam presentes nas redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram), Youtube, aplicativo EI Plus e também na plataforma OTT da empresa.

Logo do extinto Esporte Interativo (Foto: Reprodução)

Logo do extinto Esporte Interativo (Foto: Reprodução)

Você também pode gostar