“A Ilha” – Oitavo Episódio

“A Ilha” – Oitavo Episódio

Episódio de hoje: Bata antes de entrar

  Estávamos caminhando a mais de quinze minutos tentando encontrar um vestígio da Thaisa ou de quem quer que fosse. Franz carregava Grace no colo, já que ela estava a ponto de dar um desmaio, mais grave que todos nós. Bom, não vou esconder que eu estava com um certo receio daquilo tudo, mas era para o bem dela.

- Eu espero que Chloe tenha conseguido chegar à praia. – Afirmei.

- Eu também. – Franz disse.

- Espera. – Eu disse e logo paramos de caminhar. – Está sentindo esse cheiro?

- Sim. – Ele disse procurando mais do cheiro no ar.

- Parece sangue, cheiro de sangue. – Grace disse descendo do colo de Franz.

Algo pingou na minha bochecha. Franz e Grace olharam para mim. Passei a mão no meu rosto e olhei. Sangue. Olhamos para cima e lá estava o corpo de Fellipe, nu, amarrado no galho alto de uma árvore.

- A-h m-e-u D-e-u-s! – Eu disse quase sem forçar e saindo do lugar.

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Grace escondeu o rosto nas mãos enquanto chorava. Olhei para os lados a fim de verificar se não havia ninguém.

- Não pode ser… – Franz disse chocado. – Qual o retardado que faria isso?

- Não sei se a Chloe deveria estar aqui ou se fez bem em ir embora. – Grace concluiu.

- Já sabíamos que ele estava morto. – Eu disse.

- Agora ao menos temos duas conclusões. – Franz ressaltou.

- Quais? – Eu e Grace perguntamos juntas.

- A primeira é que não estamos lidando com nenhum demônio, animal ou bicho da floresta. Quem quer que seja o autor dessa brincadeira toda de mau gosto é um humano, psicopata, maníaco.

- E a segunda? – Grace perguntou.

- Se queremos achar esse assassino estamos no caminho certo de onde ele está, sabia que passaríamos por aqui.

- Como tem tanta certeza? – Perguntei.

- Deixou esse corpo dependurado aqui para nos assustar e voltarmos para trás, pois sabe que queremos encontra-lo.

- Bem pensado. – Ressaltei. – Então não podemos parar. Se o chão ao menos não estivesse coberto de folhas, podíamos seguir o rastro, pegada… Não vamos desistir, estamos perto demais de desmascarar quem está por trás disso tudo.

 

Ilha.

  Chloe está escondida em cima de uma árvore, com o celular nas mãos. Thor grita por ela, ainda em busca do celular. Ele não percebe que ela está em cima da árvore.

- Chloe! Chloe! Cadê você desgraçada?! Eu vou te achar! Está me ouvindo? Eu sei que está, vadia! – Ele grita. – Se eu não te achar, o diabo do Anthony vai te achar! Eu sei que vai!

- Anthony?! – Chloe sussurra baixinho, conversando consigo mesma.

Começa a chover, não muito, mas uma chuva mediana.

- Eu não vou sair daqui, viu?! Não é uma chuvinha que vai me tirar daqui! Guarde bem esse celular da chuva, por que ele é meu! – Thor grita.

Um avião passa por cima da ilha. Thor levanta a cabeça para olhar o avião e vê Chloe em cima da árvore.

- Então você está aí, desgraçada? – Thor grita já se aproximando da ilha.

A chuva começa a engrossar e Thor perde o avião de vista.

Chloe chuta um galho onde estava agregado um enxame de vespas, o galho cai nos pés de Thor e as vespas começam a ataca-lo.

Enquanto Thor corre pela floresta sendo atacado pelas vespas e gritando, a chuva começa a estiar e Chloe pula da árvore, correndo no sentido oposto ao de Thor.

 

Ilha.

  Estávamos em uma área da floresta tão cheia de árvores gigantescas e frondosas que a chuva quase não caía, era interrompida pelos galhos das árvores.

Enquanto eu, Franz e Grace caminhávamos, tudo parecia uma eternidade, como se estivéssemos caminhando em círculos.

A floresta, por si próprio, era escura, tornando a ilha sombria e fria, avistei uma casa simples, rústica, de madeira, um pouco longe de onde estávamos e uma sombra se mexia lá dentro.

- Gente, o que é… – Tentei dizer quando fui interrompida pelo barulho de um avião que passava por cima da ilha. Me virei para a casa e já não havia nenhuma sombra.

- Avião! Socorro! – Grace já gritou tentando acompanhar o avião correndo.

Franz correu ao lado de Grace, gritando também para o avião e fui obrigada a acompanha-los correndo ao sentido oposto ao da casa.

Corríamos aceleradamente, o máximo que podíamos, dentro da mata fechada, gritando “SOCORROOO! SOCORROOO!”, mas quem quer que estivesse no avião parecia não escutar. Contudo isso não foi suficiente para nos fazer desistir, continuamos correndo e gritando, ora olhando para cima avistando o avião, ora olhando para frente abrindo o caminho.

Grace corria na frente, Franz atrás de Grace e eu atrás de Franz, formando uma fila de desesperados tentando parar um avião nas alturas, sendo que nem podíamos ser vistos em uma ilha cercada de árvores.

Era possível ouvir um chiado aumentando cada vez mais, como se algo estivesse perto, mas o som se misturava ao barulho do avião.

Levei um susto quando Grace pareceu cair e Franz imediatamente agarrou em uma árvore e segurou meu braço.

aiMeu coração gelou automaticamente, por um momento achei que fosse morrer e pela primeira vez naquela ilha me senti extremamente com medo.

Estávamos no topo de uma cachoeira e Grace havia caído. Eu estava agarrada ao corpo musculoso de Franz enquanto ele se segurava em uma árvore, nos recuperando do susto e vendo o avião sumir nas alturas.

Grace havia despencado na cachoeira. Pelo tamanho da queda d’água e quantidade de pedras embaixo, era impossível sobreviver.

Então cai a ficha que havíamos perdido mais uma de nós. Uma lágrima desceu em meu rosto enquanto eu me agarrava ao corpo de Franz. Ele percebeu meu medo e simplesmente me beijou.

 

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Continua…

Escrita por Sadrack Young

Revisão Textual Marcos Henrique

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