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Heloísa Jorge, de “Liberdade, Liberdade” diz: “Arte me deu autoestima”

A atriz Heloísa Jorge protagonizou uma das cenas mais icônicas da novela “Liberdade, Liberdade”. Ao lado de Maitê Proença, ela gravou a sequência em sua personagem, a escrava Luanda, é torturada por Dionísia. A cena de grande impacto, causou incômodo em todos, seja nos telespectadores, produtores, equipe técnica e principalmente no elenco presente.

Em entrevista ao portal “UOL”, Heloísa falou sobre a cena que foi rodada logo em seu primeiro dia de gravação. “São cenas bem delicadas de fazer, mexem num outro lugar, é muito pessoal. Apesar de a gente não ter vivido isso, vive por conta da sociedade em que a gente está inserida. Não precisei de trabalho nenhum, foi colocar a máscara e veio o sentimento de humilhação, de se sentir subjugada. Eu olhava para a equipe toda e notava um constrangimento, tinha um desconforto muito grande nesse dia. Foi bem difícil. Nessas horas, você não pensa em técnica, em segurar a emoção porque você vai ter que repetir várias vezes. E essa cena a gente repetiu bastante”, disse.

A atriz de origem africana, conta que já foi vítima de preconceito, não apenas por ser negra, mas também por sua etnia. “Vim na condição de refugiada, com meu irmão por parte de pai, e recebi uma ajuda da Cáritas e da ONU, e a minha mãe ficou com os meus outros irmãos. Passamos por situações que ficaram na gente, no nosso corpo, fazem parte da nossa formação como ser humano. Então, quando recebi essa personagem com o nome de Luanda (capital da Angola), encarei como um presente e como um desafio”, afirma.

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Sobre a carreira de atriz, ela diz que não escolheu sem motivo e declara que a arte fez uma grande mudança em sua vida.“Não foi à toa que escolhi o teatro, porque eu podia ser quem eu quisesse. A arte me ajudou muito, me deu autoconfiança, autoestima. E Salvador ajudou a definir quem eu sou. Lá, assumi o meu cabelo crespo, quando eu vi aquelas negras maravilhosas. Sempre usei cabelo alisado, cheio de creme, coquinho, em Montes Claros. Eu não via ninguém com o cabelo crespo e volumoso como o meu. Eu não era padrão de beleza na escola. Cheguei pequenininha, em Salvador descobri todo meu poder. As pessoas achavam bonito dizer ‘Tenho uma colega africana’, falavam com orgulho”, concluiu.

Cena de Luanda sendo torturada chocou à todos

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