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Autor Aguinaldo Silva pede demissão da Globo

Uma notícia pegou todo mundo de surpresa neste domingo (19), acontece que o autor Aguinaldo Silva resolveu pedir demissão da Rede Globo, após toda a polêmica com seu ex-aluno, lhe acusando de plágio e o cancelamento da sua novela O Sétimo Guardião.

Porém, o pedido de demissão pegou ainda todo mundo de surpresa pelo fato do mesmo ter entregado há poucos dias uma sinopse de uma nova novela que ele tava escrevendo para a emissora. E de uma hora para outra ele resolve anunciarem seu blog, a sua saída da emissora. Um pouco estranho. Uma das hipóteses que pode ser levantada para a saída de Aguinaldo da Rede Globo após 48 anos, é da emissora não ter aprovado a sinopse da sua trama e ele ter ficado magoado. O fato é que essa decisão repentina é bastante estranha. Abaixo confira o texto na íntegra publicado pelo autor em sua rede social.

“Nestas minhas idas e vindas dos últimos dias, dividido entre o trabalho e muita badalação, deixei passar o aniversário de uma data icônica em minha vida: o quadragésimo oitavo aniversário do meu ingresso na família Global – quer dizer: da minha contratação como funcionário das Organizações Globo.

Sim, lembro-me como se fosse hoje: no dia 31 outubro de 1969 adentrei para o meu primeiro dia de trabalho na redação do jornal O Globo na qual fiquei apenas cinco dias. Pois no dia 5 de novembro fui preso pelo Centro de Informações da Marinha – o famigerado CENIMAR – e dado como “desaparecido”… Mas desaparecido, vírgula, pois, por conta dos meus antecedentes, todo mundo imaginava que eu devia estar em algum porão da ditadura.

Consultado a respeito do “sumiço” do funcionário recém-contratado, o dr. Roberto Marinho foi curto e grosso: mandou que continuassem a pagar meu salário até que eu aparecesse de novo. Atenção para o detalhe: antes de sumir eu acabara de entregar minha carteira profissional ao DP do jornal e ela nem sequer fora assinada. Portanto, ao me manter como empregado seu, embora eu ainda não o fosse, o dr. Roberto demonstrou uma generosidade pela qual sou grato até hoje.

Vocês nem imaginam o quanto os três meses de salário e mais o décimo-terceiro depositados em minha conta me foram úteis quando, três meses depois, fui solto e voltei a ocupar minha mesa na redação de O Globo: minha casa fora saqueada Deus sabe por quem e nela tudo o que restou foram alguns livros. Até minhas cuecas, sabe-se lá para que, os saqueadores levaram… Talvez para fazer uma macumba que resultou inútil, pois, para essas coisas – atenção, apóstolos do mal – eu sou auto-imune.

Montei uma nova casa. Fiquei no jornal até 1978. Ganhei vários prêmios como jornalista dos quais o I Prêmio Abril de Jornalismo é do que mais me orgulho. Quando saí de O Globo, não fiquei mais que dois meses como jornalista free lancer e fui convocado por Daniel Filho para ocupar um cargo de roteirista na TV Globo.

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O resto vocês já sabem e eu não vou ficar aqui relembrando. Queria apenas dizer que, mesmo inconscientemente, festejei os meus 48 anos de Organizações Globo, sim, pois naquela data eu estava em Paris e fui jantar no Le Meurice, do mestre Alain Ducasse, um dos restaurantes mais prestigiados da cidade.

Agora que lembro disso lembro também que, nestes 48 anos, caminhei sempre em linha reta… Até chegar aqui, agora, diante de todos vocês, o meu público. As Organizações Globo me deram muitas alegrias nesses 48 anos… Mas isso foi recíproco, pois tenho certeza que também dei muitas alegrias às Organizações Globo, várias novelas campeãs absolutas de audiência e dois Emmys.

Tenho 74 anos e posso dizer que estes 48 anos de “global”, mais da metade de minha vida, foram um casamento que deu certíssimo. E agora que caminho, com a elegância que me é habitual, em direção àquela porta cujos umbrais mais cedo ou mais tarde todos nós atravessaremos e sobre a qual está escrita a palavra SAIDA – e quando escrevo “saída” quero dizer saída em todos os sentidos possíveis -, não posso deixar de pensar naquele remoto dia 31 de outubro de 1969 e dar “gracias a la vida”.

E “gracias a la vida” é ainda o que darei na hora do desapego e do olvido.”, escreveu Aguinaldo.

Correção

O autor Aguinaldo Silva não pediu demissão da emissora carioca, tudo não passou de um mal entendido e em sua página no Facebook o escritor negou a sua saída do canal dizendo: “Escrevo um texto sobre velhice e morte e os apressados acham que estou saindo da Rede Globo!”.

Aguinaldo Silva (Foto: Reprodução)

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