Xuxa fala sobre a volta a TV, Facebook e PACTO com diabo

xuxaPrestes a completar um ano longe da TV, Xuxa ainda não tem previsão de retorno. Uma inflamação nos ossos sesamoides, localizados abaixo do dedão do pé (o esquerdo, no caso dela), por uso excessivo de sapatos de salto alto, obrigou a apresentadora a fazer uma pausa no ofício que pratica há mais de trinta anos. Isso não significa que ela tenha se distanciado dos fãs. Muito ativa nas redes sociais, faz comentários sobre qualquer assunto – sem se preocupar com repercussões negativas -, lançou sua rede de casas de festas infantis e prepara a festa de 25 anos da sua fundação. Quem está com saudade de vê-la na TV, ainda pode recorrer ao canal Viva (por assinatura), que reexibe o Planeta Xuxa, com novas chamadas gravadas por ela. “O pé está com a bota (ortopédica), mas a cabeça não para”, conta.

Ao site de VEJA, Xuxa fez uma avaliação da vida e da carreira, falou do tratamento e da recuperação, dos projetos que tem levado adiante enquanto planeja o futuro, e ainda sobre fama, dinheiro e amor. Só Marlene Mattos continua assunto proibido. Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista, concedida por e-mail:

 

O Planeta Xuxa está sendo reexibido no canal Viva (por assinatura). Doze anos depois do fim do programa, você consegue ver o que não funcionava bem? Tudo o que não funciona hoje, aos olhos das pessoas, era sucesso – funcionava e muito. O que tinha de novo em tecnologia estava lá. Assisto e me divirto muito. E, pelo o que tenho lido e ouvido, as pessoas estão gostando de rever.

 

Se pudesse reeditar o Planeta Xuxa hoje, como seria? Não sei, mas com certeza seria ao vivo. Teria um mix de entrevistas, uma releitura do ontem e hoje, visto por personalidades que passaram pelo sofá do Intimidade. E com muita interatividade que as redes sociais nos oferecem hoje. Tudo ao vivo!

 

Gosta de se ver em programas antigos na TV? Gosto.

 

É autocrítica? Muito.

 

O que mais observa? Tudo! Roupa, luz, como eu falava, dançava…

 

Foi próximo ao fim do Planeta Xuxa que você rompeu com Marlene Mattos. É uma separação definitiva mesmo? Não tenho nada a falar sobre isso.

 

Consegue destacar o melhor e o pior momento de toda a sua carreira? Difícil… Citar um só… São 30 anos só de TV e 35 anos trabalhando com minha imagem. Coleciono muito mais acertos do que erros. O saldo é positivo, tenho certeza.

 

Acha que a TV brasileira tem uma substituta para você, atualmente? Tem tanta gente que faz televisão tão bem, cada um com o seu carisma e talento, sua maneira de apresentar, entrevistar, emocionar…

 

Longe da TV desde janeiro, do que mais sente falta? Ainda não deu para sentir falta. Tenho trabalhado muito! O pé está com a bota (ortopédica), mas a cabeça não para. Este ano tem sido especial, a minha Fundação completa 25 anos. No final do ano passado, me perguntaram o que eu esperava para 2014 e eu disse que queria que fosse o ano da aprovação da lei (da palmada, aprovada pelo Senado, em junho passado). Também gravei o XSPB 13, todo em plano americano (filmado em meio corpo), por conta da bota. Queria algo diferente e fiz com muppets, sem ballet, sem dança – não posso ainda!. E inauguramos três unidades da Casa X, agora faltam só 50… Hahaha… Acho que Deus foi bom comigo. Tive de parar para me cuidar por conta do sesamoide quebrado, mas tenho tido mais tempo para ficar com a minha mãe.

 

Mas você não deveria estar em repouso? Por ordem médica, eu não posso ficar sem a bota. Tenho de fazer alguns tratamentos de fisioterapia, nada que me impeça de cumprir meus compromissos. Não posso é usar salto alto, dançar, pular, forçar muito tempo o pé, ou o osso não cura. Os últimos exames já mostraram melhora e afastaram a possibilidade de cirurgia. Preciso ter paciência e continuar no que está dando certo.

 

Como está a sua recuperação? Graças a Deus, não precisei fazer cirurgia. Vai fazer sete meses que estou usando corretamente a bota ortopédica e já estou no processo de desmame. Logo, poderei ficar sem ela, mas usando sapatos especiais.

 

Tem alguma previsão de retorno à TV? Não. Primeiro preciso ficar boa, terminar todo o tratamento médico. Tenho planos, mas nada que possa adiantar nesse momento.

 

Gostaria de voltar fazendo o quê? Hummmm… Segredo.

 

Você está longe da TV, mas se mantém muito ativa nas redes sociais. Faz isso por prazer ou para se manter perto dos fãs? É uma baita ferramenta para estar mais perto deles. É simplesmente o máximo! Amo ler os comentários… Eu me mato de rir! Adoroooo tudo!

 

Qualquer coisa que você escreve ali tem repercussão – boa ou ruim. Isso pode te levar a pensar mais nas palavras que usa? Não penso nisso… Só escrevo, senão não rola.

 

No Facebook, você não poupa o showbiz de críticas. Já chamou, por exemplo, Justin Bieber de “menino arrogante e mimado”. O problema, na sua opinião, são os ídolos imaturos ou os fãs que fazem qualquer coisa por eles? Na boa, esse menino tem muita coisa para aprender. Sorte que ele é muito novinho e muito talentoso.

 

Que outros maus exemplos você vê por aí? Tanta coisa…

 

E o que deveria ser feito para conter isso? Acho que as pessoas que fazem o mal não sacam que estão fazendo. Não dá para generalizar.

 

Miley Cyrus é outra cantora bastante controversa hoje em dia. O que acha da mudança de comportamento dela no palco? É muito louca, mas tem muito talento também. Deve ser difícil lidar com o sucesso desde criança, e é muito forte e grande o que acontece com eles. É preciso ter alguém do lado que mostre uma direção, que te puxe e coloque teus pés no chão. Alguém que goste de você.

 

Você também criticou a onda do balde de gelo. Acha que muitos artistas entraram nessa moda só para aparecer? Acho que muitos não

sacaram que doar e informar as pessoas sobre a doença era o mais importante.

 

Em um post recente, você disse que queria mudar tudo antes da festa de 25 anos da sua fundação. O que, por exemplo? A Fundação tem uma sede com mais de 30 anos e muita coisa para fazer, para mudar… Passam por lá, diariamente, mais de mil pessoas, entre crianças e jovens. As coisas têm um tempo de duração. Precisam de manutenção, cuidado… E muita coisa precisa ser trocada, mas eu tenho amigos que estão me ajudando. Sonho e eles sonham comigo. Está ficando lindo!

 

Qual sua maior realização com a fundação? Tudo! O fato de ela existir já é a realização de um grande sonho! Temos muitas conquistas em várias áreas. Quando começamos, há 25 anos, cuidávamos de 180 crianças. Hoje, com a experiência que temos, atendemos crianças, jovens e famílias. Oferecemos cursos profissionalizantes e temos projetos a nível nacional.

 

E um sonho ainda não realizado? Material? Ver a Fundação ser autossustentável. Conseguir construir um ginásio poliesportivo com direito a um anfiteatro. Já construímos vários novos módulos, mas as necessidades vão aumentando e quero dar a eles sempre o melhor. O sonho: ver minha mãe com saúde.

 

Você passou por um momento difícil com a sua mãe recentemente. Como está a saúde dela agora? Está um pouco melhor.

 

Sua mãe é evangélica, mas você já sofreu ataques por parte deles (com a ridícula acusação de pacto com o diabo, por exemplo). Como reage à isso? Algumas pessoas nem me conhecem e não gostam de mim. Algumas pessoas tem tempo para falar, escrever coisas que nem sei como conseguem tanta imaginação. Mas não são os evangélicos. Tenho muitooooos amigos evangélicos e não gosto quando generalizam dizendo que eles falam isso ou aquilo de mim, não acho certo. Tudo que tenho, tudo que faço, foi Deus que me deu, ninguém mais. A reação? Entrego a Deus e continuo trabalhando pelas causas que acredito e para ajudar a quem precisa.

 

Você foi ao Congresso, em junho, acompanhar a aprovação da ‘Lei da Palmada’. Por que tanto empenho nessa causa? Essa história é longa… Eu fui criada sem apanhar, sem violência. Minha mãe criou cinco filhos sozinha, sem bater em ninguém. Nunca apanhei e nunca bati na minha filha. Há nove anos, fui convidada a ser porta-voz da ‘Rede Não Bata, Eduque!’, contra castigos físicos e humilhantes em crianças e adolescentes, tive mais acesso a informações da causa, tanto no Brasil como no mundo, e fui me envolvendo em muitas outras causas, que tem em comum a violência sofrida dentro de casa. Por isso, essa lei é tão importante. Para criarmos uma cultura de paz precisamos começar dentro de casa, educando com amor, diálogo e dando às crianças a proteção que precisam para crescerem com todos os seus direitos respeitados. Limite e educação não podem ser sinônimos de violência. Campanhas como ‘Carinho de Verdade’, contra a exploração sexual infantil; o projeto ‘Vira Vida’, que tira jovens da prostituição, ensina uma profissão, arruma emprego e ainda viabiliza uma poupança para um novo início de vida. Mais recentemente, o projeto ‘Entrelaços’, que reforça os laços afetivos entre pais e filhos, saiu da Fundação e foi levado a mulheres em presídios! São muitos projetos e muitas histórias transformadas. Em comum, sabemos que a maioria dessas pessoas passou por histórias de violência dentro de suas próprias casas.

 

Do seu pai, você apanhou? Minha mãe não deixou, mas o meu pai bateu muito nos meus irmãos.

 

A Sasha nunca levou uma única palmada? Nem do Luciano? NUNCA. Não existe única palmada. Ou você usa violência com o seu filho ou não usa.

 

Em 2012, você deu uma entrevista ao Fantástico revelando ter sido vítima de violência sexual na adolescência. Por que decidiu contar, depois de tanto tempo? Quem sofre este tipo de violência não se sente ‘à vontade’ para falar. Achei que o meu depoimento poderia ajudar as pessoas que sofrem com isso a denunciar. Fiquei muito feliz, depois, por saber que o número de denúncias no Disque 100 aumentou. Me fez ver que valeu a pena.

 

O que a menina Maria da Graça, de Santa Rosa, acharia da Xuxa de hoje? Que ela é fiel a tudo que sonhava e acreditava quando criança. Eu só queria poder trabalhar para dar presentes a minha mãe. Eu queria cuidar de bichos e ver crianças felizes. Cresci, meu trabalho me dá a possibilidade de dar o melhor a minha mãe e tenho minha Fundação.

 

O que o seu dinheiro e a sua fama não podem te dar? O poder de salvar vidas, curar as pessoas, comprar a liberdade de ir e vir sem medo de qualquer tipo de violência. Paz. Se o coração não estiver em paz… O dinheiro e a fama não dão as coisas fundamentais para viver: amor, carinho, amizade…

 

Você sempre tentou ser discreta na vida amorosa. Mas, agora, com Junno, parece abrir mais sua intimidade ao público. O que mudou? Eu me apaixonei e não deu para guardar só pra mim.

 

Pensam em casar, ter filhos juntos? Já temos nossos filhos e estamos felizes.

 

Você já disse que Ayrton Senna era sua alma gêmea. Acha que pode existir mais de uma para cada pessoa? Tenho certeza da importância do Beco na minha vida, mas também sei que quero viver e morrer do lado do Ju.

 

@Editora Abril