Vestido de Willian Bonner e de meia-calça, humorista Rafucko presta depoimento a Polícia Civil

 

Corregedoria da Polícia Civil ouviu na tarde desta quinta-feira o humorista  Rafael Puetter, o Rafucko. Fenômeno da internet com mais de um milhão de acessos de seus vídeos no Youtube, ele foi intimado a prestar esclarecimentos sobre a participação em um protesto artístico realizado em novembro do ano passado no Centro do Rio. Para ironizar a intimação, Rafucko compareceu à sede da Civil vestido de Wiliam Bonner da cintura para cima e uma meia-calça arrastão.

O humorista depôs como testemunha em um processo disciplinar da Polícia Civil contra o delegado Orlando Zaconne. O articulista Reinaldo Azevedo, da revista Veja, acusou Rafucko de ter usado, no ato de novembro, manequim roubado da loja da Toulon, depredada em julho do ano passado durante protesto contra o então governador Sérgio Cabral. A manifestação artística foi assistida por Zaconne, então titular da 15ª DP (Gávea). Azevedo acusou o delegado de praticar o crime de prevaricação, por não prender o artista que estaria usando peça roubada da loja de roupas.

Ao sair da sede da Civil, Rafucko contou que se recusou a responder às perguntas do delegado Felipe Bittencourt do Valle e negou ter usado objeto fruto de roubo na manifestação: “Eu me recusei a explicar uma performance artística. Quem é Reinaldo Azevedo? Eles tinham que investigar é se ele toma tarja preta antes de me chamar aqui. Baseado em que ele pode afirmar que eu usei algo roubado? Acho perigoso a polícia se basear nele para investigar qualquer coisa”, declarou.

Rafucko justificou o traje usado para ir à sede da Polícia Civil: “Eu prefiro achar que tudo isso é uma grande piada. Eu já faço uma sátira ao William Bonner nos meus vídeos, então aproveitei para vir aqui com o personagem que é uma crítica, uma ridicularização da mídia”, disse.

“É bem assustador que eu tenha que perder uma tarde aqui. Deve ter algo mais importante para ser investigado. Tem uma coisa muito ruim, muito estranha e muito circense acontecendo. A sensação é de que estamos numa democracia muito frágil, se é que estamos numa democracia”, completou o humorista.

Não é a primeira vez que Rafucko presta esclarecimentos à polícia. Em uma manifestação no mês de julho do ano passado, o humorista acabou detido por policiais militares. Em um vídeo divulgado no Youtube dias após o protesto, o humorista afirma que foi preso pelos PMs com provas falsas. Segundo Rafucko, os policiais colocaram pedras portuguesas dentro da camisa que ele usava para forjar o crime de depredação de patrimônio público. Rafucko foi levado à 14ª DP (Leblon) e liberado ainda no mesmo dia.

Em seus últimos vídeos, ele vem criticando de forma ferina a atuação da polícia nos protestos que ocorrem na cidade desde junho do ano passado, as respostas do governador do Rio Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes às reivindicações dos manifestantes e a forma como os protestos são noticiados nos veículos de comunicação.