Plantão BBB 15: Cézar é um cowboy universitário

Superação e perseverança. Estas características marcam a história de vida de Cézar Lima Martins, 30 anos, um dos 13 integrantes da 15ª edição do Big Brother Brasil.
Terceiro de quatro irmãos, Cézar vem de uma família muito pobre. Ele nunca chegou a passar necessidade, mas conta que teve uma vida cheia de limitações. “Graças a Deus nunca passei fome, a gente sempre teve a subsistência. Só o supérfluo que não. Carne e macarrão, por exemplo, a gente não tinha todos os dias. Meus pais se ressentiam muito porque não conseguiam dar vestuário bom para a gente.  Somos uma família numerosa, quatro filhos para dar de vestir é difícil.”

Nascido na zona rural de Inácio Martins, pequeno município no interior do Paraná, Cézar e seus irmãos tinham tudo para seguir o caminho dos pais e permanecerem na roça.  Mas seu Darcílio, um agricultor semianalfabeto, e dona Maria Rosa, uma empregada doméstica, decidiram que seus filhos teriam uma vida diferente, com mais oportunidades e, para isso, todos deveriam estudar.  “Dar terra para filho é coisa que não dá certo. Para ser alguém na vida, é preciso ter estudo”, diz o agricultor..

Dos quatro filhos, dois já estão formados. Cézar é graduado em Economia e atualmente também cursa a faculdade de Direito. Janete, a mais velha, se formou em Pedagogia e acaba de passar em um concurso público municipal. A caçula Eliete estuda Recursos Humanos.  A única exceção é o segundo filho, Edson, que, mesmo sem diploma, trabalha em dois hospitais na cidade de Guarapuava.

Cézar e seus irmãos cresceram ajudando os pais na roça. Estudar era um verdadeiro sacrifício. A escola ficava a 70 km de distância e todos os dias ele precisava sair de casa às 5h, num longo percurso para frequentar as aulas.  Apesar de não ter estudo, seu Darcílio sabia que a educação era a única chance que seus filhos tinham para escapar de uma vida de miséria. Foi com isso em mente que ele e dona Maria tomaram uma atitude drástica. A família deixou a pequena propriedade agrícola que tinha em Inácio Martins e se mudou para Entre Rios, um pequeno distrito da cidade de Guarapuava.

“Meu pai falou ‘se vocês ficarem aqui vão sofrer como eu’ (…) Ele não quis que a gente tivesse a mesma falta de oportunidade que ele teve e obrigou a gente a se mudar. Foi muito difícil.

Quando se nasce no interior, isso fica muito arraigado. No início, a gente não queria sair de lá, tinham os primos, a gente nadava na cachoeira, no rio. Quando a gente viu, tinha um caminhão de mudança encostando”, relembra.

Foi em uma humilde casa de dois quartos e fogão à lenha na colônia alemã de Vitória que a família se estabeleceu. Os filhos puderam seguir seus estudos, para orgulho do contido e calado chefe da família. Cézar lembra até hoje um dos únicos momentos que viu o pai emocionado: “Só vi o meu pai chorar uma vez, quando a gente se mudou para Entre Rios”.

Atualmente, Cézar se dedica muito aos estudos e quer ser delegado. Ele ainda mora na mesma residência para qual se mudou aos 13 anos, usa o mesmo fogão à lenha e cuida do pai, enquanto dona Maria trabalha como doméstica em Londrina e visita a família de 15 em 15 dias. Seu Darcílio está com a saúde muito debilitada e passa o dia inteiro em casa. Apesar de ser um homem de poucas palavras, é muito querido na região e sempre recebe visita dos vizinhos. “Todo o dia tem gente ali visitando ele. E ele não retribui as visitas. Eu não sei por que o povo vai contar os ‘causos’ para ele”, diz Cézar aos risos.divulgacao-cezar_canta-01