Para poder brigar com Record, SBT teria que investir 200 milhões

SBT chega a vice liderança da TV

SBT chega a vice liderança da TV

Nestas últimas semanas que se passou, surgiu várias notícias e rumores que vêm sendo divulgados de que o próprio Silvio Santos estaria interessado em voltar a brigar contra a Record e retomar a vice-liderança isolada de ibope. Entre outras medidas, Silvio estaria interessado em contratar Marcelo Rezende e Luiz Bacci, dar um programa para Rachel Shererazade e transformar o “Programa Silvio Santos” em uma atração ao vivo. Parece pouca coisa, mas não é.

 Especialistas em orçamento de emissoras foram ouvidos e todos os três ouvidos (que pediram para não serem identificados, pois ainda trabalham para ou nas próprias emissoras) concordam que, para fazer essas mudanças, Silvio Santos teria de enfiar a mão no próprio bolso e gastar no mínimo R$ 200 milhões. E esse dinheiro não se refere apenas à contratação e pagamento de eventuais multas por profissionais de outras emissoras, além de novos salários nababescos. Isso é até fichinha. Há outros gastos muito mais pesados que isso.

Desde o final da década passada, a Record tem a vice-liderança isolada de ibope em todo o país, atrás só da Globo. Ela já esteve a três pontos de distância do SBT, mas hoje essa diferença é de 1,1 ponto, apenas (6,6 x 5,5). Parece pouquinho, mas virar esse placar custaria duas centenas de milhões de reais. No mínimo.

Vamos ao exemplos

Para que a contratação de Rezende e Bacci valesse a realmente a pena, Silvio teria de dar para ambos atrações diárias, como ocorre com os âncoras de “Cidade Alerta” e “Balanço Geral” hoje na Record. O problema é que o SBT é, ao lado da RedeTV!, a emissora com menor número de equipes jornalísticas em São Paulo. Enquanto a Globo tem cerca de 50 equipes que podem ser acionadas a qualquer momento (câmera, repórter, técnico em áudio, produtor, motorista e até segurança) e a Record tem umas 40 equipes, o SBT não tem nem dez.O SBT teria de investir na compra de helicóptero(s) e contratar pilotos, pois esse é um veículo fundamental para o jornalismo ao vivo. Sem falar na construção de novos cenários, contratação de mais produtores, maquiadores, técnicos, câmeras, área comercial, gastos em publicidade etc.

Como citado nos últimos diasteria feito  a promessa em de dar um programa solo para Rachel Shererazade, que andou sendo assediada pela Band. Aí haveria dois problemas e necessidades: 1) teria (ou terá) de abrir espaço na grade para uma nova atração, provavelmente vespertina ou no começo da noite e 2) contratar uma grande equipe para a âncora, uma vez que ela faz sucesso com muitos telespectadores, mas com pouca gente dentro do complexo Anhanguera. Muito jornalista lá dentro faz muxoxo e certamente se recusaria a trabalhar com ela.E para fazer a transformação do “Programa Silvio Santos” em atração ao vivo também dispensaria milhões de reais, além dos vários empecilhos que criaria para a produção (como trazer artistas de renome nacional e concorrer com o “monopólio” que a Globo tem hoje dos principais artistas —em muitos casos aqui vale um sic). Isso sem falar que, nos finais de semana, os artistas têm sempre mais shows e por isso estão menos disponíveis para as televisões.

Após as informações das últimas seis notinhas fica a grande pergunta dos especialistas ouvidos pela coluna: Silvio Santos vai mesmo enfiar a mão no próprio bolso, cortar na carne e retirar R$ 200 milhões de seu patrimônio para ganhar no máximo dois míseros pontos na média geral de ibope, para tentar voltar à vice-liderança? Ou vai continuar como está, com uma grade de produção equilibrada, de baixo custo, embora com muitos enlatados e reprises? Quem conhece Silvio, tem certeza que a segunda opção é a mais provável…

Será que vale a pena investir 200 milhões?

Basta ver que a Record, desde 2004, quando anunciou que seria a líder de audiência até este ano (não foi, né?), gastou algo em torno de R$ 3 bilhões. No mínimo. E a Record ainda tem um grande “cliente”, a Igreja Universal, que paga até R$ 500 milhões por ano (embora ninguém confirme) para ficar com as madrugadas da sua própria emissora. No caso do SBT, sua “Universal”, grosso modo, atende pelo nome de Grupo Silvio Santos (Tele Sena, Jequiti etc) —o principal anunciante da casa—, que não pode gastar mais do que já gasta. Para passar a Record ele teria de não só tirar duas estrelas da concorrente, como também ganhar mais dois pontos. Ou seja, cada ponto custaria R$ 100 milhões. Silvio, para ou continua?

Após gastar bilhões em dez anos, de se tornar vice de ibope, tropeçar e voltar a se erguer, o clima na direção da Record é de extremo otimismo. A opinião corrente é que o atual vice-presidente artístico, Marcelo Silva, conseguiu resolver os mais graves problemas da grade de programação: 

1) O início das tardes, onde emplacou o “Balanço Geral” com sucesso, primeiro com Geraldo Luís e agora com Luiz Bacci. O ibope aumentou; 2) Resolveu também os sábados à noite, com a contratação de Sabrina; uma vez que Mion já vai bem. As primeiras semanas da “japoneusa” já estão aprovadas; 3) O domingo matinal melhorou. Em vez de uma overdose de “Pica-Pau”, lançou o “Domingo Show” num horário em que a emissora, havia meses, estava carente. Fez teste com todo mundo, Galisteu, Cicarelli, dizem as boas línguas que até sondou Luciana Gimenez. Acabou resolvendo com prata da casa (Geraldo); 4) O domingo à tarde e o começo da noite, com a “Hora do Faro”. Foi uma aposta arriscada e muita gente achava que não daria certo, mas o talento e versatilidade de Faro estão dando trabalho para SBT e até para a Globo.

 A Record não pode se dar ao luxo de cometer outro erro em novelas como ocorreu com “Máscaras” em 2012 —um fiasco tão grande de ibope que derrubou toda a faixa nobre da Record, o que permitiu ao SBT encostar de novo.