OSB interpreta obras de compositores russos no Municipal do Rio em concerto a R$1

A Orquestra Sinfônica Brasileira levará o público do seu próximo Concerto da Juventude para uma viagem musical à Rússia. No dia 27 de julho, às 11h, no Theatro Municipal do Rio, os músicos da OSB, comandados pelo maestro Roberto Duarte, interpretam obras dos compositores russos Khachaturian, Prokofiev, Korsakov e Tchaikovsky. No programa estarão as peças “Masquarade”, marcha da ópera “O amor das três laranjas”, “Procissão dos Nobres” da ópera-ballet “Mlada”, e “Marcha Eslava”. A abertura da apresentação será comandada pelo Coro de Crianças da OSB, sob a regência do maestro Julio Moretzsohn. Os ingressos estarão à venda a R$1 na bilheteria do Theatro Municipal, uma hora antes do início do concerto.
O coro infantil da orquestra abre o espetáculo interpretando a canção russa de 1860 “Kalinka”, de Larionov. Em seguida, o grupo emenda em “All Thing Pass”, de Chilcott; e “Futebol” do compositor pernambucano Naná Vasconcelos. A orquestra inicia a sua performance tocando “Masquarade”, de Khachaturian, composta em 1941 para uma peça teatral de mesmo nome escrita pelo poeta e dramaturgo russo Mikhail Lermontov. Formada por cinco movimentos: Valsa, Noturno, Mazurka, Romance e Galope, a première da obra aconteceu em 1941, em Moscou. Em 1954, Khachaturian gravou os três primeiros movimentos da peça, regendo a Orquestra Filarmônica de Columbia.
A obra de Prokofiev, marcha da ópera “O amor das três laranjas”, foi composta em 1919, a partir de uma adaptação feita para o teatro pelo italiano Carlo Gozzi do conto de fadas, de mesmo nome, escrito por Giambattista Basile. A história traz um jovem príncipe que, enfeitiçado por uma bruxa, se apaixona por três laranjas. Preso a essa paixão, o príncipe é forçado a viajar a procura das três frutas, cada uma responsável por uma princesa, passando pelas mais diversas situações. A estreia da obra aconteceu em 1921, na Casa de Óperas de Chicago, com o próprio compositor na regência.
Metade ópera, metade ballet, “Mlada”, de Korsakov, data de 1889 e não figura entre as principais óperas do meio clássico, tanto é que a sua estreia em novembro de 1892 não foi um grande sucesso em St. Petersburg, com regência de Eduard Nápravník. Apesar de não ser uma obra tão notável, a passagem interpretada pela orquestra, “Procissão dos Nobres”, uma introdução orquestrada do segundo ato, é a única música mais conhecida. Encerrando a “viagem”, os músicos apresentam o trabalho patriota de Tchaikovsky, “Marcha Eslava”. A obra, encomendada em 1876 pela Sociedade Musical da Rússia, é uma homenagem aos soldados sérvios feridos na guerra que se travava entre turcos e sérvios naquele período. A peça foi interpretada em um concerto beneficente para arrecadação de fundos que auxiliaram nos cuidados com os soldados. Externando o seu lado mais nacionalista, Tchaikovsky fez uso na composição de canções folclóricas eslavas e de citações ao hino nacional russo, “Deus Salve o Czar”.

Maestro Roberto Duarte
Roberto Duarte começou sua carreira internacional logo depois de ter sido laureado com o prêmio Serge Koussevitzky, no Concurso Internacional de Regência do Festival Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, em 1975. Tem regido importantes orquestras fora do Brasil, como a Orquestra de Câmara de Moscou, a Radio Suisse Romande, a Filarmônica de Ungarische, entre outras.
Roberto Duarte foi Regente Titular e Diretor Artístico da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da Orquestra Sinfônica do Paraná e da Orquestra Unisinos, no Rio Grande do Sul, e fundou a Orquestra do Theatro São Pedro, em São Paulo. Considerado um especialista na obra orquestral de Villa-Lobos, sob sua batuta, foram gravados na Europa vários CDs para o selo Marco Polo com obras do mestre. Com a Orquestra de Câmara Tommaso Traeta (por ele fundada, na Itália, em 1988), gravou obras inéditas do compositor italiano Comte de Saint Germain e do brasileiro Padre José Maurício Nunes Garcia.
Duarte recebeu da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) o prêmio de Melhor Regente do Ano de 1994 e 1997. Em novembro de 1996 recebeu do Governo Brasileiro, através da Fundação Nacional de Arte (Funarte), o Prêmio Nacional da Música, como regente. Em 2001 e 2010 recebeu o Prêmio Carlos Gomes por sua atuação no campo da ópera, como regente e revisor. Atualmente é membro da Academia Brasileira de Música.

O Coro de Crianças da OSB
O CCOSB foi criado pelo maestro Roberto Minczuk em abril de 2010. Formado hoje por 60 integrantes com idade entre oito e 16 anos, o Coro é dirigido pelo maestro Julio Moretzsohn e pela maestrina assistente Denize Vieira. Sua atuação é voltada para as apresentações da OSB, como também para recitais independentes, dedicando-se a obras do repertório sinfônico e camerístico.

A série Concertos da Juventude
Iniciada em 1943, a série “Concertos da Juventude” leva a música clássica para novos públicos, com o objetivo de democratizar o acesso a ela. Em 2013 comemorou-se 70 anos da mais tradicional série de concertos do Rio de Janeiro. A cada apresentação, mais de 400 estudantes – a sua maioria da rede pública de ensino – são levados ao Theatro Municipal. Os alunos ganham transporte e lanche, e vão levar o que aprenderam para discussões em sala de aula. Entre cada número, o regente faz uma breve explanação sobre as obras.

Sobre a OSB
A Orquestra Sinfônica Brasileira é o mais tradicional conjunto sinfônico do país. Roberto Minczuk é o maestro titular. Composta por 71 músicos tem por meta alcançar o número de 95 até 2016. Fundada em 1940, pelo maestro José Siqueira, a OSB foi a primeira a realizar turnês pelo Brasil e exterior, apresentações ao ar livre e projetos de formação de plateia. As missões institucionais contemplam a conquista de novos públicos para a música sinfônica, o incentivo a novos talentos e a divulgação de um repertório diversificado, objetivos alcançados em mais de quatro mil concertos realizados durante sete décadas de trajetória ininterrupta.
A história da OSB se compôs através da contribuição de grandes músicos e regentes como Eleazar de Carvalho e Isaac Karabtchevsky. Além de ter revelado nomes como Nelson Freire, Arnaldo Cohen e Antônio Meneses, a OSB também contou em sua história com a colaboração de alguns dos maiores artistas do século XX: Leonard Bernstein, Zubin Mehta, Kurt Sanderling, Arthur Rubinstein, Martha Argerich, Kurt Masur, Claudio Arrau, Mstislav Rostropovich, Jean-Pierre Rampal e José Carreras, dentre outros.
As atividades da OSB são viabilizadas pelo apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro, do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da mineradora Vale e de um conjunto de investidores da iniciativa privada e investimentos públicos.
Apostando num amplo espectro da música – da produção barroca aos compositores contemporâneos – a Orquestra Sinfônica Brasileira busca continuamente a excelência artística e, por consequência, a concretização de seus objetivos sociais e educativos.