Os motivos para a Globo não cancelar o BBB

Um bolcado de pessoas trancadas numa casa supervigiada. A estrutura do Big Brother não mudou desde sua estreia, em 2002, mas o programa segue garantido na grade da Rede Globo e no imaginário popular. Confira as razões de tamanha longevidade e prepare-se para a nova edição, que começa nesta terça.

1) Faturamento alto

O BBB segue como um raro produto de faturamento crescente. Em 2012, cada anunciante pagou cerca de R$ 20 milhões, valor que chega agora a R$ 26,9 milhões. Com suas seis cotas de patrocínio já comercializadas, a nova edição estreia quebrando recorde: R$ 161 milhões de faturamento. Para o diretor do curso de Publicidade da ESPM, Alessandro Souza, um grande atrativo do BBB é dar uma percepção real dos produtos:

– Enquanto na novela você tem personagens ficcionais bebendo um refrigerante, no Big Brother tem uma pessoa real, o que causa uma empatia imediata com o público.

2) Buzz social

Segundo o Google Zeitgeist, levantamento anual feito pelo buscador sobre os termos mais procurados na rede, o Big Brother é um dos assuntos mais discutidos na internet no Brasil desde 2009. Em 2013, o BBB liderou o ranking. Para Bruno Campanella, professor do departamento de Estudos Culturais e Mídia e da Universidade Federal Fluminense, o reality show acaba sendo uma espécie de aglutinador social:

– Mesmo quem não assiste pode participar e opinar a respeito do programa numa roda de conversa. É uma referência em comum para todo mundo.

3) Emissora top

Um dos fatores que explicam a longevidade do Big Brother no Brasil é a parceria com a maior emissora do país, a Rede Globo. Em outros países – incluindo a terra natal do reality show, a Holanda –, o programa é exibido em canais menores, às vezes com periodicidade irregular. Em países como Argentina e Canadá, a atração já foi cancelada.

– É inegável que ser exibido na emissora mais importante do país dá ao Big Bother um alcance e uma visibilidade que ele não desfruta em outros lugares – aponta Bruno Campanella.

4) Voyeurismo

A ideia de espiar o cotidiano alheio, cerne do Big Brother, segue sendo um atrativo mesmo após 12 anos de programa – que pouco mudou em sua estrutura básica. Mas o acordo entre os telespectadores voyeurs e os brothers é muito claro, como afirma Rogério Ferrer Koff, professor de Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria:

– Vivemos numa sociedade narcisista, então as pessoas que estão ali na casa querem ser olhadas. Em contrapartida, também gostamos de bisbilhotar a vida alheia. Logo, a retroalimentação desse sistema é inevitável e eterna.

5) Novelão real

Para Cristiane Finger, mestre em Comunicação e pesquisadora na área de TV, a habilidade em construir uma narrativa que mescla o real com o ficcional é um dos trunfos do Big Brother. Da escolha dos participantes à edição, tudo é feito para entregar ao espectador um produto nos mesmos moldes de uma novela.

– Temos personagens com perfis variados, temos conflito, temos romance e temos, como vantagem, o fato de a trama funcionar mesmo se alguém perder um dos capítulos. Basta saber quem ficou e quem saiu para voltar a entender o jogo – pontua.