“Meu papel é de coadjuvante” declara Ana Paula Padrão sobre “Master Chef”

MasterChefGravando diariamente por cerca de 12 horas os episódios do “Master Chef”, da Band, Ana Paula Padrão interrompeu uma folga entre um take e outro para conversar com a reportagem do iG. “Esse é o único momento que tenho para tomar um café, dar uma relaxada ou conversar com você. Não faço mais nada a não ser respirar o programa. Não tenho tempo para mais nada. Chego em casa e, às nove e meia da noite, já estou dormindo”, contou a apresentadora, que conta com a compreensão do marido, Walter Mundell.

“Quando a Band me apresentou o projeto do ‘Master Chef’ eu disse ‘sim’ porque não é um programa de exibiconismo puro, com peito, bunda, vulgaridade. Tem um produto final que é selecionar o melhor profissional dentre os participantes, tem um critério. Pensei muito nisso, em voltar para a TV só quando surgisse algo que tem a ver com credibilidade e que eu pudesse usar ali as habilidades que já tinha como jornalista. Senão, não iria voltar”, explicou Ana, aproveitando para dispensar qualquer convite para retornar à bancada. “Não vou mais apresentar telejornal, não quero, isso já está definido”.

Coadjuvante

Afastada há um ano e meio da televisão, desde que deixou o comando do “Jornal da Record” para se dedicar à carreira empresarial, Ana admitiu que teve cautela antes de aceitar atuar no entretenimento televisivo, ao contrário dos colegas jornalistas Fátima BernardesPedro Bial e Britto Jr, por exemplo. “Nesses três casos, eles caíram na produção puramente de entretenimento. O meu não, é meio termo. O formato do ‘Master Chef’ depende dos participantes e dos chefs que julgam seus desempenhos. Esse formato não depende da apresentadora, não está nas minhas costas. Não sou a personagem principal, melhor do que ser jogada aos leões. Posso entender aos poucos que tipo de condução vou dar, que tipo de personagem vou ser”, explicou.

O fato do protagonismo do programa não estar na figura de Ana Paula acabou surpreendendo alguns telespectadores. “Pra mim, foi muito bom porque eu acho que é muito difícil sair do jornalismo e ir direto para o entretenimento. O sucesso do programa não depende de mim, mesmo, e isso é proposital. Meu papel é de coadjuvante. O que acho que pode ter acontecido é que as pessoas esperavam que alguém de posição de relevância como a que eu tinha continue tendo isso”, analisou

Hora do merchan

Com mais de 30 anos de jornalismo, Ana dispensou os primeiros convites para anunciar produtos na grade da emissora. “Me perguntaram: ‘você quer fazer merchandising?’. Não quero nesse primeiro momento porque não sei como vou me posicionar, acho que ia ficar pesado. Quero um passo de cada vez. Nunca fiz publicidade. Vendo os outros jornalistas que fazem, aprendo com a experiência alheia. Sair de uma imagem que é a sua durante quase 30 anos é dificil”, disse.

Formal demais

Nas próximas fases do reality, a participação de Ana deve ter mais destaque do que no início. “Eram 300 pessoas, depois 50, 30, e depois restaram 16 personagens, que vão sendo eliminados. À medida que vou gravando, vou conhecendo cada um e também vou me soltando.

Acabei de gravar um perfil com um deles, conheci a família. Com isso, tive chance de entender como podia fazer a apresentação porque, no primeiro programa, achei que eu estava formal demais, estilo de bancada de jornalismo, mas depois me soltei, fui ficando mais coloquial. Vocês vão perceber isso. Estou entendo que algumas intervenções que eu faço podem ser mais leves.

Não tenho teleprompter, script, é muito solto, com improviso, e estou gostando de fazer”.

Além do desafio profissional, Ana tem acumulado muito experiência também na cozinha. “Estou pegando várias dicas e aprendendo com o retorno que os chefs dão para os concorrentes. Como o ritmo de gravações é intenso, ainda não tive tempo de praticar. Hoje, a Paola (chef) deu várias dicas de como fazer carne. Lá em casa, nosso programa preferido é passar o final de semana cozinhando. A gente gosta da culinária tailandesa, balinesa, mas admito que meu marido cozinha mais do que eu”.

“Desisti de ser mãe”

Em 2006, a jornalista deixou a apresentação do “Jornal da Globo” com a intenção de ser mãe. Oito anos se passaram e, agora, aos 48 anos, ela diz ter abandonado de vez os planos da maternidade. “Nem idade tenho mais pra engravidar. Passei por todo o processo de tratamento e desisti de ser mãe”, disse. Como jornalista, Ana acompanhou as denúncias de abuso sexual contra o médico especialista em reprodução humana Jorge Abdelmassih. “Nunca me consultei com ele mas cobri os casos de abuso na época que estava no jornal. É muito difícil para uma mulher passar por essa momento, a dose hormonal é grande”, completou.

“Tudo bem cobrir eleições”

O contrato de Ana Paula com a Band é de um ano e, após as dez semanas de “Master Chef”, ela ficará à disposição da emissora. “As gravações acabam no final de setembro. Depois dessa obra, estou aberta a novas propostas e, por mim, tudo bem trabalhar na cobertura das eleições, por exemplo. Mas, por enquanto, não tem nada definido”.

 

 

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