Leonardo Padura diz que escritores vivem violenta mudança

A crise econômica, a tecnologia e as demandas de um mercado cada vez mais exigente tornaram difícil a vida dos escritores, que vivem uma mudança de era “tão violenta” quanto quando a imprensa foi inventada, segundo o escritor cubano Leonardo Padura.
“O mundo do livro está sofrendo uma transformação que não sei se chamo de revolução ou involução, apesar de estar montada sobre o suporte revolucionário” das tecnologias digitais, disse Padura em entrevista à Agência Efe durante a II Bienal do Livro de Brasília, onde apresentou sua obra “O homem que amava os cachorros”.
Na opinião do autor cubano, as novas tecnologias afetaram “a literatura,a relação do leitor com o produto e a relação do próprio escritor com o leitor”, que antes acontecia por meio da figura do livreiro, que hoje é “como um dinossauro”, em extinção.
Para o cubano, o papel da literatura, das editoras e do leitor “está sendo subvertido”. “Agora depende-se muito mais de críticas literárias escritas por um estagiário, ou da promoção que os editores fazem conforme seus próprios interesses”, comentou.