“A Ilha” – Quinto Episódio

Episódio de hoje: Brincando com o desconhecido

333– Temos que sair dessa ilha o mais rápido possível. – Chloe concluiu.

– Sem a Thaisa? Você não tem amor aí nessa pedra que você chama de coração não? – Grace disse.

– A Chloe tem razão, Grace. – Eu disse. – Se a Thaisa aparecer, tudo bem, ou se der sinal de vida também, mas caso contrário é idiotice nossa querer entrar nessa ilha tendo algo que nos matará aí dentro.

– Vamos tentar construir uma jangada. Estou quase me convencendo que no mar é mais seguro. Sem contar que aqui não temos alimentos e a qualquer momento pode sair sei lá o que dessa mata e nos atacar.

– Não acho que o assassino venha nos atacar, estando aqui na praia. Até por que eu acho que seja o Thor ou o Yuri, principalmente o Yuri… Só de pensar no que ele fez com o Fellipe.

– Gente, o Fellipe! – Gritei.

– O que tem ele? – Chloe perguntou.

– Onde está o corpo dele? Não estava no helicóptero?

03– Ah, meu Deus… – Chloe começou a chorar.

– Agora é tarde, não adiantar chorar. Ou bichos comeram, ou algo levou… – Grace mencionou.

– …Ou ele estava vivo. – Franz disse.

– Não deixa de ser uma hipóte… Aaaaah! – Gritei, interrompendo a frase, assustada.

– O que foi Shay? – Franz questionou.

– Tem alguém na mata, eu juro que vi, um vulto preto de alguém… Tem alguém nos observando.

– Aonde? Cadê? – Chloe disse assustada.

– Estava ali, eu juro que vi. – Estava tão assustada que chorei.

ai

– Calma Shay, calma… – Franz disse me abraçando.

– Thaisa! – Grace gritou.– AAAAAAAAAAAH! – Um grito veio de dentro da floresta.

Não pensei duas vezes e corri para dentro da floresta. Até parece que Franz havia lido meu pensamento, afinal, corremos juntos, lado a lado, em disparada na floresta. Grace e Chloe correram em seguida, estando a uns cinco passos atrás de nós. Corremos alguns metros, desviando de árvores grandes, pedras, e estando bem no meio da floresta. Nos cansamos, não ouvimos mais nada e paramos.

 

Petrovisk, Casa dos Pais de Chloe.

– Eu não vou superar nunca o fato da Chloe ter desaparecido! – Gritou a Sra Avellar, mãe de Chloe.

– Você precisa entender, Lunna, os policias de Petrovisk estão fazendo o possível e o impossível para terem indícios dos jovens, inclusive da Chloe, mas não é nada fácil. – Disse pai de Chloe.

– Estão fazendo bosta nenhuma! B-o-s-t-a nenhuma, Ignácio! Essa é a verdade que você e o resto dos pais dos outros jovens fazem questão de não enxergar! Não enxergam por que não querem! Se a anta da Sheron Vaggance quisesse achar a filha e o resto ela poderia, não é riquíssima e poderosa?

– Eles são jovens e você precisa entender, Lunna. Quando era jovem não fugiu nenhuma vez de casa? Fugiu, não foi? Pois bem, é coisa de jovem isso… Eles vão voltar. Quem não gostaria de roubar o helicóptero dos pais e dar uma volta nas alturas com os amigos?

– Não é bem assim, Ignácio. A filha dos Vaggance não era amiga de ninguém, n-i-n-g-u-é-m! Por que diabos ela levaria nossa filha e os demais para uma volta de helicóptero? Já se passou pela sua cabeça que ela pode ter matado todos eles, jogado de um penhasco e está a essa hora se relaxando em uma banheira por uma das enormes casas que os pais dela tem pelo país?

– Está chamando Shay, a filha dos Vaggance, que você viu nascer, de assassina?

– Deixe de ser tolo Ignácio, a essa hora do campeonato não se pode querer esconder nada.

– Se você pensa assim, vai lá na delegacia agora, vai lá e bate a cara com o delegado, diz que acha que é Shay Vaggance a impostora, assassina! – Ignácio parece enfurecido. – De onde já se viu que uma garota de menos de dezoito anos faria uma desgraça dessa com colegas de classe?

– Por que não? Você acha que essas coisas absurdas só acontecem em cidades grandes, não é mesmo?  Está próximo de nós, basta enxergar.

Eles se olham intimidados.

 

Ilha.

  Olhamos em volta, a ilha tinha um tom sombrio, tudo muito fechado. Era possível ficar louco ali, com tantas árvores gigantescas que chegavam a tampar a luz do sol, tornando tudo escuro e frio. Olhamos um para o outro. Os quatro, sem saída. Olhamos ao nosso redor. Estamos perdidos.

– Eu não acredito, estamos perdidos! – Grace disse quase chorando.

ii

– Eu sabia que não podíamos ter corrido tanto por causa de um gritinho… Como vamos voltar agora? – Chloe disse já querendo chorar.

– Sem desespero meninas. Se fosse grito do Fellipe você não queria que tivéssemos vindo? Pois então… – Franz disse.

– Muito bem, espero que estejam felizes. Já estávamos perdidos estando na praia, agora estamos perdidos e fechados na floresta, sem saber pra que lado ir, sabia que podemos andar pra qualquer lado e dar de cara com um assassino? Um demônio ou sabe Deus o quê? Agora sim estamos mortos, que venha o que quiser.

Chloe tinha razão. Nos restava chorar.

 

 

Continua…

Escrita por Sadrack Young

Supervisão Marcos Henrique