“Fantástico” 14/12/14 Maiores sítios arqueológicos do Brasil

Neste domingo (14), a série ‘A Jornada da Vida’ atravessa o atlântico e chega ao nosso país em busca de vestígios dos povos ancestrais que viveram no país 13 mil anos atrás, muito antes dos índios.

O “Fantástico” vai visitar os maiores sítios arqueológicos do Brasil. E conhecer a brasileira número um, a mãe de todos nós: Luzia.

Você tem noção de quanto lixo produz todo dia? Dá para acreditar que uma jovem só produziu o que cabe dentro de um pote de vidro durante dois anos? Como ela conseguiu? Você vai ver neste domingo no “Fantástico”.

Foto: Divulgação/Fantástico

Foto: Divulgação/Fantástico

Oba e Eba! Tibatuque e Esquindim! Tom e Vinicius! Quais serão os nomes dos novos mascotes dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016? O Fantástico vai mostrar neste domingo (7) em primeira mão.

Tudo isso e muito mais, neste domingo (14) no “Fantástico”!

Divulgação: Rede Globo

Pai reencontra filha depois de 15 anos por causa de multa de trânsito

 Você acredita no acaso? O Fantástico mostra uma história surpreendente, que tem um final inesperado. Início da história: um policial resolve parar um caminhão que tinha acabado de fazer uma ultrapassagem proibida na estrada.
Região de Campina Grande, Paraíba. O trecho da BR-230 é conhecido pelas ultrapassagens perigosas. “Estávamos atrás do caminhão dele quando ele fez a ultrapassagem nessa ladeira e mais à frente nós o abordamos”, lembra o policial rodoviário federal Gustavo Grisi.

Trabalhando na boleia do caminhão há 30 anos, Sidor Albrecht estava com pressa naquela quinta-feira, 04 de dezembro. O frete entre Marabá e Campina Grande estava quase terminando. Foram três dias de viagem, quase 1,8 mil quilômetros. E ele fez uma ultrapassagem proibida na faixa dupla. “Falei para o guarda: ‘Estou errado, pode multar, não tem problema não’”, afirma.
A multa foi aplicada na hora: R$ 957. E quando a notificação acontece assim, na estrada, os policiais precisam se comunicar por rádio com a base para fazer uma checagem dos documentos – tanto do motorista, quanto do veículo. Foi aí que as surpresas começaram.

O policial não encontrou nada no sistema da polícia, mas ficou intrigado com o nome diferente e resolveu buscar também na internet. “Quando eu fiz a consulta, surgiram alguns resultados. Mas somente um chamou a minha atenção, que foi aquela mensagem que dizia: ‘Estou à procura do meu pai’”, conta o policial rodoviário Daniel Pereira.
Era uma mensagem publicada dois anos antes em um fórum de pessoas desaparecidas. “Quando eu vi a mensagem dela, também lembrei da minha história. Nos últimos 20 anos eu também estive à procura do meu pai, então eu sei o que aquela moça estava passando. Eu encontrei o meu pai esse ano”, diz Daniel.
A autora da mensagem é de Fortaleza. Vitória Albrecht, uma jovem de 17 anos, que foi mãe aos 15. Estava grávida quando escreveu e sentia falta do pai que não conhecia. “Já tinha até me esquecido que eu tinha botado. Pensava que era mentira quando ligaram”, conta.

A mensagem sensibilizou o policial. “O que a Vitória fez foi como escrever um bilhete, colocar em uma garrafa e lançar no mar. E a gente teve a sorte de encontrar essa garrafa”, conta Daniel.
Seu Sidor, que já tinha assinado a multa e sido liberado, foi chamado de volta. Pelo rádio, ouviu a mensagem lida pela policial da base Soraya: “Gente, eu sou a Vitória, tenho 15 anos. Moro em Fortaleza, procuro o meu pai Sidor Albrecht. Ele é caminhoneiro, há anos eu venho tentando encontrá-lo”, dizia a voz no rádio.
Era a notícia da filha que ele não viu crescer porque ficou 15 anos sem contato.

No fim da década de 90, Sidor terminou o primeiro casamento, no estado do Mato Grosso. Nas viagens pelo Brasil, o caminhoneiro se envolveu com a mãe biológica de Vitória em Fortaleza. Ela nasceu, mas a relação não foi para frente. Sidor se casou de novo no Mato Grosso.
A mãe de Vitória deixou a bebê no Ceará com sua irmã, Socorro, e foi trabalhar em Santa Catarina. Maria Socorro Alexandre assumiu a criação de Vitória. “A mãe da Vitória de verdade sou eu. Eu criei ela”, se emociona.

Nessa ‘troca de mães’, o pai – que estava longe – foi perdendo contato com a filha. “Eu parei de viajar para o Nordeste. A última vez que eu vi ela foi quando ela tinha dois anos. Depois eu mudei de emprego, a empresa não viajava para cá e daí eu fui perdendo o contato”, lembra Sidor.
Dona Socorro e a família mudaram de casa, a comunicação ficou ainda mais difícil. “Ele ligava em um telefone comunitário aqui na outra rua e não chegava aqui o recado”, ressalta Socorro.
Mas na mensagem da internet, Vitória colocou seus números de telefone. Depois de 15 anos, Sidor finalmente conseguiu ligar para a filha.
Sidor: A primeira instância que eu liguei, eu nem consegui falar.
Vitória: A pessoa não falou, ficou só escutando. Eu falei: ‘Vá para a casa do’ lá, eu peguei e desliguei.
Sidor: Eu liguei de novo, e ela: ‘Quem está falando?’. Eu disse: ‘Quem é a pessoa que você quer conhecer muito?’.
Vitória: Veio na mente: meu pai!
Sidor: Ela chorou muito, e eu também chorei junto com ela.
Vitória: Acho que ele já me ligou umas 300 vezes nesses dias. Ele não para. É de hora em hora.
Mas até aqui, o reencontro só tinha sido por telefone. Depois da primeira ligação, Sidor descarregou o caminhão em Campina Grande e foi para João Pessoa conseguir um novo frete: dessa vez para Fortaleza. “Para conhecer a minha filha”, conta Sidor. “Hoje eu estou muito feliz porque vou rever minha filha”, comemora.
Apenas um dia de estrada e ele chegou à cidade da filha, Vitória. Sidor fez uma caminhada bem rápida até a casa da filha, em um bairro da periferia de Fortaleza. A ansiedade foi muito grande. “Não vejo a hora de poder encontrar ela e dar um abraço”, conta.

Momentos antes do reencontro, Sidor não consegue segurar a emoção. Logo o avô conhece o netinho. “Agora o vô tem um netinho também”, brinca.
Sidor é grato a Dona Socorro, a mãe que não é biológica, mas criou Vitória com todo amor. “Você cuidou bem da minha filha”, diz Sidor.
“Daqui para frente quero que ele me dê bastante amor, que ele nunca mais separe de mim. Passou muito tempo longe. Só isso”, diz Vitória.

Detento pede indenização do Estado por condições precárias de presídio

Hoje, no Brasil, mais de 560 mil pessoas estão atrás das grades. Só que os presídios brasileiros não estão preparados para abrigar tanta gente. O resultado é a superlotação e condições muito precárias. Foi aí que um detento de Corumbá, Mato Grosso do Sul, resolveu entrar na Justiça para pedir uma indenização
A cidade está na fronteira com a Bolívia, a 420 quilômetros da capital Campo Grande. No local fica um presídio masculino, com capacidade para 180 presos. Por trás dos muros altos, histórias que se repetem em praticamente todas as penitenciárias brasileiras: superlotação.
Anderson Nunes da Silva passou sete anos preso lá dentro, condenado por latrocínio – roubo seguido de morte. Hoje está em liberdade condicional. “Uma cela que era para oito pessoas tinha 11, 12. Tinha pessoa que dormia até perto do banheiro, que trazia alergia, coceira. Muita nojeira, ninguém aguentava de barata. Acho que o ser humano não merece passar o que nem animal passa”, conta Anderson.
O caso de Anderson foi uma das 269 ações movidas pela Defensoria Pública contra o estado do Mato Grosso do Sul. “Na verdade o reconhecimento de um direito humano, um direito fundamental de todo brasileiro, que é ser tratado com um mínimo de dignidade. O fato dele ser o ofensor, o agressor, não desobriga o Estado de observar esses direitos. Caso contrário, a sociedade estaria praticando atos ainda piores do que aqueles que o sujeito que foi dito criminoso praticou”, destaca o defensor público geral do Mato Grosso do Sul, Paulo André Defante.
No processo estão descritas as condições do presídio: com capacidade para 262 pessoas, abrigava 674. Não há lugar nas celas para colchões, nem espaço para dormir. Há rachaduras nas paredes, esgoto a céu aberto e mau cheiro insuportável.
A causa chegou ao Superior Tribunal Federal, em Brasília. O relator do processo, ministro Teori Zavascki, e o ministro Gilmar Mendes votaram a favor da indenização ao preso, estabelecida em R$ 2 mil, a serem pagos pelo Estado. A decisão final foi adiada depois que o ministro Luís Roberto Barroso pediu novo prazo para avaliar a questão.
“Esse é um caso que podemos considerar raro. E, portanto, a decisão do Supremo deverá ser observada como referência para todos os juízes do Brasil, analisando o caso concreto”, diz o presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho.
A decisão pode abrir precedente para outras ações semelhantes já em trâmite no país. Ou seja: uma série de indenizações seriam pagas a criminosos cumprindo penas em presídios superlotados, e não são poucos.
As penitenciárias do Brasil têm capacidade para 357 mil presos. Hoje, esses presídios abrigam mais de 567 mil detentos, quase 60% acima da capacidade. Seriam necessários centenas de novos presídios para garantir as mais de 210 mil vagas e suprir esse déficit.
“De 2007 para cá nós já estamos providenciando a viabilização para oito mil vagas. Nós temos muitos presos que são da Justiça Federal, e nós entendemos que preso da Justiça Federal tem que ser custeado pela União”, diz Deusdete Oliveira, diretor da agência penitenciária.
A família do jovem de 19 anos, assassinado por Anderson, está indignada. “É muito triste saber o que ele fez para a nossa família, o que ele fez para o nosso irmão, ainda vai receber uma indenização? Se o governo começar a indenizar todos que foram presos ,que sofrem pela alimentação, pela falta de moradia, então todos temos que ter esse direito. Imagine quantas pessoas não têm onde morar, o que comer, e sobrevivem”, diz um parente.
Para o professor de Direito da PUC do Rio de Janeiro Paulo Freitas, o que está em questão é o direito dos presidiários. “A Constituição Federal, por exemplo, assegura o direito do preso, a garantia à sua integridade física e moral. A decisão judicial, sobretudo da mais alta Corte, que venha reconhecer esse direito, terá um efeito pedagógico”, ressalta.
“O que é decisivo ao meu ver não é apenas discutir qual é o custo econômico que isso vai ter para o Estado brasileiro. O que é decisivo discutir, ao meu ver, é se nós vamos submeter ao debate público e efetivo como o Brasil vai tratar uma parte da sua população, em geral composta por negros, pobres e analfabetos, que são completamente ignorados dentro do sistema prisional brasileiro”, diz o professor de Direito da FGV Daniel Vargas.