Estréia “A Ilha” – Primeiro Episódio

Episódio de hoje: Entrando numa fria

 Quase não conseguia enxergar nada. Estava tudo muito escuro e um cheiro impregnado de fumaça. Não conseguia discernir onde estava. Meus olhos carregados de areia. Tateei meu espaço ao redor e não encontrei nada. Tentei levantar o pescoço, a dor era intensa. Esfreguei os olhos tirando a areia que me incomodava. Vi tudo o que me cercava.

-AAAAAAAAAAAH!

Um dia antes

petr

   Morar em Petrovisk tinha lá suas vantagens, além de grande e bem movimentada, tinha boas opções de turismo, apesar de ter sido construída na época em que o faroeste predominava. Além do mais, era isso o que me mantinha viva, já que eu nunca visitava boates nem clubes noturnos, era obrigação minha manter a pose de boa mocinha de família. Aliás, uma das muitas obrigações.

Ah, quase ia me esquecendo! Meu nome é Shay Vaggance, tenho dezessete anos e sou consideravelmente uma das melhores alunas do Colégio Lara Ferman, afinal, ser filha da Drª Sheron e do Drº Renay, não era pra qualquer garota.

Minha mãe, uma das maiores arqueólogas do país, quase nunca estava em casa, e meu pai um advogado bem sucedido. Fazia parte dos planos deles me manter no patamar da família.

Eram exatamente dez da manhã quando fechei a porta do meu armário nos corredores do Lara Ferman e dei de cara com Chloe Morbeck.

Chloe ocupava boa parte da ala das garotas mimadas, patéticas e patrícias do colégio e, ao contrário de mim, era cercada de amizades.

– Chloe? O que você tá fazen… – Ela me interrompeu antes que pudesse terminar a frase.

– Eu preciso da sua ajuda. – Ela disse firmando o pulso na sua bolsa de grife.

– Isso é alguma pegadinha de televisão ou vão chegar garotos jogando tinta e papel higiênico em mim?

– Todos nessa escola sabem que você é íntima do diretor Gurrel. – Ela disse fechando a porta do meu armário e me levando em direção ao banheiro feminino – Pelo fato de você ter boas notas, ser aplicada, ser uma nerd… Desculpa… E blá, blá, blá.

Parei na porta do banheiro.

– E o que você quer? – Fechei o semblante.

– Sei que você gosta do Franz Fitzgerald, é louca por ele e que não tem amigos nenhum nessa espelunca colegial. Te consigo o Franz e te torno popular se me prestar um favor.

Franz era, na minha opinião, o garoto mais sensual, másculo, sexy e delicioso de Petrovisk. E nunca que, em sã consciência, ficaria com uma garota como eu!

– Eu gostar do Franz? – Tentei ser irônica, dando um sorriso falso – Só que nunca, Chloe! Nem se eu gostasse eu conseguiria.

– Não tente disfarçar… Leio sua página na internet, você até faz acróstico com o nome dele.

– O quê? Franz é o pseudônimo de Franzesco, meu avô!

– Quer mentir pra você mesmo? Desde quando imagina seu avô com lábios quentes, alto volume e um olhar sedutor? Hello, eu sei usar internet! – Ela me empurrou para dentro do banheiro e passou a conversar enquanto retocava a maquiagem se olhando no espelho enorme – A única coisa que você tem que fazer é entrar na diretoria, encontrar os anexos dos boletins e mudar minha nota de Literatura Espanhola e Ciências Físicas, para um A.

– Tá doida, Chloe? Se o senhor Gurrel me pega naquela sala, vasculhando o computador, eu estou morta! Frita!

– É pegar ou largar, gata! – Ela disse fechando o batom –  Tem até amanhã pra ter feito o serviço, se tornar popular e conquistar o coração do Franz. – Me entregou um cartão com nome dela – Pense bem. Não vai se arrepender.

Em casa eu pensava, mesmo sem saber o que fazer, enquanto olhava o cartão que ela havia me dado. Passaria essa noite sozinha em casa, era perigoso já que eu morava sozinha em um casarão que ficava a cinco quilômetros da cidade e ali havia coisas de valor, muitas coisas.

Como o colégio era aberto nos três turnos, eu poderia muito bem fazer o que ela pediu ou… Simplesmente mentir. Era algo bom de se fazer, afinal, os boletins só seriam entregues aos pais ou responsáveis cinco dias depois. Tempo suficiente

– Alô. – Disse do outro lado uma voz lúcida demais para alguém às dez da noite.

– Chloe?

– Ah, não. Aqui é o Fellipe – namorado machista dela – vou passar para ela. – Segundos. – Alô?!

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– Oi. Chloe? Sou eu, Shay.

– Shay, minha diva! – Falsidade – Que bons ventos a fazem ligar aqui há essa hora?

– Cumpra seu trato. – Mentir fazia meu coração acelerar.

– Jura?

– Sim.

– Sabia que seria ótimo negociar com você, sempre soube. Nem vou perguntar como conseguiu, o importante é missão cumprida. Tá com quem em casa?

– É… – Pensei antes de responder – Sozinha… Meus pais estão a trabalho, voltam de madrugada ou amanhã. – Silêncio do outro lado – Por quê?

Percebi que ela sussurrou algo com Fellipe.

– Arrume a casa Shay, chegamos em vinte minutos.

– O quê?! Mas… – Ela desligou o telefone. – Droga! O que aquela anta quer aqui em casa a essa hora?

Cinco minutos. Dez minutos. Vinte minutos. Trinta minutos. Eu já estava contente demais por achar que ela não viria me visitar acompanhada daquele entojo que ela chama de baby.

Estava na cozinha quando escutei carros sendo estacionados no quintal da chácara, barulho de algo como se pessoas pulassem na piscina. A campainha tocou. Abri.

– SURPRESAAAA! – Chloe disse e mais de trinta adolescentes entraram em casa. – Menina, mas que casa grande! Isso aqui é uma mansão! Piscina, campo de golfe, espaço para pouso de aviões?! O que mais tem aqui?

– Chloe, que brincadeira sem graça é essa?

– Do que você está falando?

– Quem te disse para trazer esse tanto de gente pra minha casa? Ficou doida? Se meus pais chegam a qualquer momento, eu morro e ainda me matam depois de morta.

Ela deu uma risada.

– Por favor, querida! Como queria se aproximar do Franz?

Alguém ligou o som. Altíssimo por sinal.

– Não achou que eu fosse trazer apenas o Franz… Não é? Você devia agradecer, conseguir trazer a galera quase toda.

– Óbvio que viriam! Assim pode tomar banho de piscina, fazerem uma suruba no quarto dos meus pais, estrangularem a minha geladeira e ainda fumar maconha fora da cidade. Lindo, não é?

– O que é isso, gata?! – Fellipe disse. – Até parece que nunca foi nas nossas festinhas… Trouxemos comida, bebida e tudo mais… Relaxa…

– Saiam daqui, se não quiser que eu chame a polícia.

Chloe pareceu preocupada.

– Espera aí Shay, temos um trato, não temos? Tentar curtir a festa… Você me ajudou, deixe-me te ajudar… Vai ver como esse povo é legal.

Já eram duas da manhã, nem metade do povo tinha ido embora, eu estava sozinha, com sono e tédio. Shay, Fellipe, Franz e qualquer outro haviam sumido de vista. Escutei um barulho grande vindo detrás da chácara. Pensei que fosse meu pai voltando da Conferência, mas olhei na direção da piscina e nenhum farol vinha do rumo da cidade.

O helicóptero. Pensei.

Corri para o local reservado para o pouso de transporte aéreo. Havia sido construído a mando da minha mãe, ao lado da chácara, já que ela circula muito entre cidades e países longínquos para escavações e o helicóptero particular dela estava por lá.

Me enfiei na mata, retirei o salto alto e comecei a correr em direção a área. Ficava a alguns metros da casa e a cada passo o barulho do helicóptero ficava maior. Que idiotas estariam lá?

Já haviam tirado o helicóptero da terra e estavam a uns quatro metros preparando para levantar. Devia haver umas sete pessoas dentro, o que já era inaceitável, o normal seria cinco pessoas, contando com o piloto. Comecei a gritar. O helicóptero abaixava e erguia, nada muito alto. Continuei gritando.

Me agarrei ao helicóptero. Gritei o mais alto que pude. Chloe pôs a cabeça para fora do helicóptero.

– Shay, sua doida! – Ela riu. – Você vai cair, sua danadinha! – Ela estava visivelmente bêbada.

– Pare essa desgraça, Chloe! – Eu gritei, já quase caindo.

– De jeito nenhum! – Ela riu novamente e dessa vez deixou a garrafa de cerveja cair. – Opa, sua desgraçadinha! Vamos, me dê a mão garota… – Ela me ofereceu a mão.

– Eu não vou subir, quero que desçam!

Alguém puxou Chloe para dentro. Um garoto colocou o rosto para fora.

– Shay?

– Quem é você? – Eu realmente estava caindo.

– Me dê a mão!

– Não!

O helicóptero começou a voar alto. Dei a mão a ele e me puxou para dentro. Fiquei  sentada no colo de Chloe.

– Seus desgraçados. Como puderam?

– Pegaram a chave no guarda-roupas da sua mãe. – O garoto desconhecido disse.

– Entraram no quarto dos meus pais? Não entenderam o que eu disse?

– Não adianta discutir comigo, eu sou o único sóbrio por aqui.

Olhei para a direção.

– Franz? Que diabos você está fazendo aí?

– Cala a boca, hic! E obedece o titio aqui… – Bêbado ao extremo.

O helicóptero balançou. Balançou. Sem direção. Senti uma pancada na cabeça.

Desmaiei. Horas.

Quase não conseguia enxergar nada. Estava tudo muito escuro e um cheiro impregnado de fumaça. Não conseguia discernir onde estava. Meus olhos carregados de areia. Tateei meu espaço ao redor e não encontrei nada. Tentei levantar o pescoço, a dor era intensa. Esfreguei os olhos tirando a areia que me incomodava. Vi tudo o que me cercava.

-AAAAAAAAAAAH!

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Continua…

Escrita por Sadrack Young

Supervisão por Marcos Henrique