Entrevistas com candidatos à presidência prejudicaram Patrícia Poeta no “JN”; entenda

Patricia JN

Foto: Divulgação

Considerado fraco, o desempenho de Patricia Poeta nas entrevistas com candidatos à Presidência, em agosto, foi determinante para a saída da apresentadora do Jornal Nacional, anunciada há uma semana. A atuação de Poeta desagradou a João Roberto Marinho, herdeiro de Roberto Marinho responsável pelo jornalismo.

Na avaliação de profissionais da Globo, Patricia Poeta foi mal principalmente nas entrevistas com Marina Silva e Dilma Rousseff. Na entrevista de Dilma, ela foi atropelada por William Bonner. Fez apenas duas intervenções, contra 11 do colega de bancada. Poeta só abriu a boca quando já tinham transcorridos 7 minutos e 13 segundos de entrevista, quase na metade do tempo total. Perguntou sobre saúde, enquanto Bonner martelou em questões mais capitais para a candidata, como corrupção e crescimento da economia.

Na entrevista de Marina Silva, o desempenho de Patricia foi considerado internamente um “fiasco”. Ela não foi clara em sua questão, sobre o fato de a candidata ter sido apenas a terceira colocada na campanha à Presidência de 2010 no Acre, seu Estado natal. Tentou tornar a pergunta mais relevante para o resto do país e tomou uma “invertida”: “Talvez você não conheça bem a minha trajetória”, respondeu a candidata.

Para jornalistas experientes da Globo, faltou capacidade de improviso rápido para Patrícia. “Nós estudamos bastante”, respondeu ela, como se fosse uma colegial, não uma jornalista que apresenta o maior telejornal do país e tem obrigação de estar bem informada sobre tudo no mundo todo.

Segundo altas fontes na Globo, o desempenho de Patrícia Poeta nas entrevistas com presidenciáveis é o detonador mais provável da queda da jornalista. Nessa avaliação, a notícia da compra (não concretizada) de um apartamento de R$ 23 milhões não teria tido relevância. Seria apenas um indicador do processo de fritura pelo qual ela passava internamente.

Processo histórico

Patrícia Poeta teve o apoio decisivo de Ali Kamel, diretor-geral de jornalismo e esportes, para substituir Fátima Bernardes na bancada do Jornal Nacional, em 2011. Para analistas dos bastidores da Globo, foi uma cartada sobre Amauri Soares, hoje diretor de programação, marido de Poeta. Em 2002, Soares disputou o cargo máximo do jornalismo da Globo com Carlos Henrique Schroder, hoje diretor-geral da emissora. Perdeu. Mas continuou sendo um crítico contumaz do jornalismo praticado pela emissora. Se dependesse dele, a Globo estaria hoje muito mais informal e popular do que é.

O problema, avaliam as altas rodas, é que Patricia Poeta não foi bem no Jornal Nacional. Ela funciona bem como repórter e entrevistadora de celebridades, por isso irá apresentar um programa de entretenimento. Mas é sofrível quando tem de enfrentar um político experiente e escorregadio.

William Bonner, editor-chefe e apresentador do Jornal Nacional, ficou em segundo plano no processo que levou Patricia Poeta para a vaga de Fátima Bernardes. Ele nunca a digeriu. Não houve química entre os dois. Bonner se incomodava até com os cacos de Poeta, como o “olha” que ela usa antes de cada frase. Nos bastidores da Globo, Bonner não escondia críticas a “colega”. Reclamou do desempenho dela principalmente na entrevista com Dilma Rousseff. Fez muita carga contra a jornalista e, não à toa, é apontado como pivô da queda.

A Globo, em comunicado oficial, sustentou que desde que Poeta assumiu o JN, em dezembro de 2011, já estava acertado que ela ficaria no cargo apenas durante três anos. Em 3 de novembro, ela será substituída por Renata Vasconcelos, que deixará o Fantástico após apenas um ano. No lugar de Renata, entrará Poliana Abritta.